quinta-feira, 29 de novembro de 2007

Horta urbana é o sustento das famílias




Livre de agrotóxicos e adubos químicos horta beneficia moradores da Vila Dois de Julho e São Marcos

Arar, capinar, plantar e regar faz parte do dia a dia do pequeno agricultor João Carlos Sena Santos, 37 anos, que vive da sua pequena plantação de hortaliças no bairro Dois de Julho/ Trobogy.

Santos sobrevive da agricultura desde pequeno, cultura herdada de pai para filho, quando morava em Conceição do Almeida, a 160 quilômetros de Salvador. Sua família é proprietária de um pequeno lote de terra e de lá eles extraem a sua subsistência. Ele veio para a capital com sua mulher e filha com uma proposta boa de emprego, iria trabalhar como lavrador de uma fazenda, porém não deu certo. Pensando em ter seu próprio negócio, Santos invadiu um pedaço de terra que pertence a Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf), mas com o passar do tempo à companhia consentiu sua permanência no local desde que não construa nada e não plante árvores. Essa solicitação foi feita pelos fiscais por se tratar de uma área que tem torres que passam fios de alta tensão.


Santos está satisfeito com sua atividade, se dedica á agricultura com toda devoção, não utiliza nenhum tipo de agrotóxico ou hormônio para acelerar o desenvolvimento das plantas. Ele fertiliza o solo com esterco, e como fungicida emprega a urina da vaca. “Eu prefiro perder toda a minha plantação a utilizar qualquer tipo de veneno”, declara.

Toda a manhã João sai para labuta de bicicleta do bairro Nova Brasília para o final de linha do Trobogy para irrigar sua horta. No mesmo terreno ele construiu uma banca onde vende coentro, cebolinha, hortelã a R$0,50, dois pés de alface a R$1,00 e 30 quiabos a R$1,00. A procura é grande, e quando a safra está em baixa ele vai à feira e compra para revender, pois não pode deixar de suprir as comunidades.

O mesmo não ocorre com Nelson Bento de Souza, ele planta e colhe diariamente, possui uma horta numa área estimada de 1300 metros quadrados localizado na Avenida São Raphael no bairro de São Marcos. Souza também é adepto da plantação orgânica, utiliza esterco de galinha para adubar sua terra, mas a única coisa que o incomoda são as formigas e com isso usa formicidas para não acabar com a plantação.

Nelson tem esta horta desde 1997, quando plantou a primeira leira, “eu me lembro como fosse hoje, foi numa terça-feira de carnaval de 1997 quando cheguei aqui, invadi o terreno sem saber de quem era, e aqui ainda estou” fala.
Morador de Cajazeiras 4, acorda todos os dias as 4h30 para pegar o primeiro ônibus em direção a São Marcos. Para ele não tem domingo nem feriado, estou aqui todos os dias até às 19h, afirma Nelson.

Logo cedo faz a primeira irrigação, seguida de mais duas ao longo dia, no terreno onde planta divide os espaços com outros cultivadores. Tem três funcionários que ajudam no plantio, na colheita e também na venda.

Souza não se distingue de João em alguns aspectos, por exemplo, na experiência em plantar. Nelson adquiriu conhecimento desde criança na cidade onde sua família mora em Simão Dias/Sergipe, que fica á 311 quilômetros de Salvador. E também na preocupação com o solo e com a saúde de quem compra, pois não usa nem um tipo produtos químicos que prejudique a comunidade onde vende. ”A senhora vem comprar um pé de couve, come, passa mal, diz que comprou na horta vizinha e ai a culpa é de quem?” afirma com preocupação.

Na mesma horta José Domingos Trindade, 57 anos, tem também um pedaço de terra, onde já plantou algumas hortaliças e está preparando outras leiras para o cultivo.
Nascido em Paripiranga na Bahia destina seu tempo somente ao cultivo de sua horta, onde pretende se aposentar, mas afirma que não irá parar de beneficiar as comunidades que já conhecem o seu trabalho.

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